Estratégias para Navegar em Mercados em Queda

Estratégias para Navegar em Mercados em Queda

Neste artigo, exploraremos abordagens eficazes para gestores e investidores superarem os desafios de um cenário econômico adverso em 2025.

Cenário Econômico em 2025

O contexto macroeconômico de 2025 apresenta múltiplos desafios simultâneos. A projeção de crescimento do PIB em 2,1% reflete um crescimento modesto esperado, resultado de um ambiente global ainda incerto e pressões internas.

A inflação, controlada em 4,43%, encontra-se abaixo do limite superior da meta de 4,5%, mas persiste a preocupação com a volatilidade dos preços de alimentos e energia. A taxa Selic projetada em 15% ao ano, por sua vez, influencia diretamente o crédito e o custo de capital das empresas.

A confiança industrial sofreu um declínio acentuado em agosto de 2025, atingindo níveis inferiores aos observados nos últimos anos e estimulando as empresas a revisarem planos de expansão e investimento.

Além disso, o ambiente internacional segue tenso, com desaceleração em algumas economias avançadas e tensões comerciais entre grandes parceiros. A política fiscal nacional, apesar de disciplinada, enfrenta pressões por demandas sociais e investimentos em infraestrutura, gerando incertezas para o curto prazo.

Principais Desafios Econômicos

O cenário para empresas e consumidores combina fatores que reduzem o dinamismo e o potencial de ganho de escala. Entre os principais obstáculos, destacam-se:

  • Inflação persistente reduzindo poder de compra
  • Aumento das taxas de juros para conter pressões inflacionárias
  • Crescimento do endividamento familiar e restrição de crédito
  • Redução gradual da renda média da população

Esses elementos integram um quadro de menor confiança e maior cautela, exigindo ação estratégica por parte de gestores e investidores.

Transformação no Comportamento do Consumidor

A disposição de compra do consumidor brasileiro apresenta mudanças estruturais. Em análise histórica, quase 70% dos produtos avaliados registraram queda ou estabilidade na intenção de aquisição, impactando diretamente o varejo físico e digital.

A preferência por gastos em experiências, como viagens e serviços de entretenimento, em detrimento de bens duráveis, indica priorização de gastos com experiências como uma mudança de longo prazo no perfil de consumo.

Durante a Black Friday de 2025, a retração de 48,4% em comparação com 2019 e de 9,13% em relação a 2024 revelou a combinação de endividamento elevado, aumento de juros e percepção de falsas promoções, conforme destacado pelo presidente do Ibevar.

O comércio eletrônico, embora ainda seja uma via de crescimento, apresenta desaceleração, exigindo integração de canais físicos e digitais em uma abordagem omnichannel para captar o consumidor mais exigente digitalmente.

Impacto Setorial

Setores que dependem intensamente de insumos e equipamentos, como metalurgia e madeira, sentiram a contração de investimentos em manutenção e expansão. A confiança industrial, que já registra declínios há meses, pressiona fornecedores e prestadores de serviços correlatos.

O setor de serviços, especialmente educação a distância e telemedicina, apresentou resiliência, respondendo à busca por conveniência e segurança pelos consumidores.

Por outro lado, segmentos como farmoquímicos, farmacêuticos e extração de minerais não metálicos têm se mantido resilientes, mantendo índices de confiança acima de 50 pontos e criando oportunidades pontuais em locação de equipamentos para projetos específicos.

Regionalmente, o Nordeste mostra alguma robustez e ampliação de investimentos, enquanto Sul e Sudeste apresentam redução de gastos de capital, refletindo a necessidade de segmentação geográfica em planos estratégicos.

Estratégias Recomendadas

Para reverter a desaceleração, gestores de varejo devem focar em quatro pilares fundamentais:

  • revisar o mix de produtos com foco essencial
  • oferecer condições de pagamento mais flexíveis
  • investir em experiência de compra personalizada
  • gerenciar estoques e custos com rigor

É crucial adotar sistemas de CRM que potencializem a personalização de atendimento e campanhas, de modo a fidelizar clientes mesmo em período de contenção de gastos.

No macro, além de indicadores tradicionais, analisar tendências de inovação setorial, iniciativas governamentais de incentivo e movimentações de grandes players internacionais, pois representam pistas sobre deslocamentos de capital e demanda futura.

Franquias e operações segmentadas devem aproveitar variações regionais, adaptando portfólio de produtos e mix de serviços conforme as oportunidades emergentes em cada localidade.

Estratégias de Investimento para 2025

Com a taxa Selic elevada, a renda fixa torna-se atraente para quem busca segurança e retorno real. Tesouro Selic, CDBs e LCIs/LCAs oferecem liquidez e excelente relação segurança-retorno, enquanto títulos atrelados à inflação podem entregar rendimentos reais de até 8% ao ano.

No mercado de crédito privado, debêntures incentivadas e CRIs/CRAs em setores de infraestrutura e energia emergem como opções para diversificação de portfólio.

Para diversificação, fundos multimercado com gestão ativa podem oferecer proteção contra choques de câmbio e inflação. Investidores que buscam hedge contra riscos políticos e cambiais podem considerar alocações em ouro, dólar e fundos de ações internacionais.

ETFs globais, como os baseados em S&P 500 e tecnologia, permitem exposição a mercados externos com custos reduzidos, respondendo ao movimento de diversificação global cada vez mais presente nas carteiras profissionais.

No segmento de ações, empresas com caixa líquido e balanço sólido, como TOTVS, WEG e Ambev, oferecem menor exposição às altas taxas de juros e maior capacidade de manutenção de margens.

Para mitigar riscos em momentos de alta volatilidade, o uso de opções estruturadas em estratégias de proteção, como collars e put spreads, pode preservar ganhos sem comprometer o potencial de valorização.

Em criptomoedas, a tokenização de ativos reais (RWA) e a consolidação de protocolos de finanças descentralizadas proporcionam oportunidades de exposição moderada, com ênfase em ativos consolidados e boa governança.

Indicadores Econômicos Chave

  • Taxa Selic em 15% ao ano
  • Inflação acumulada em 12 meses
  • Índice de Confiança do Consumidor
  • Índice de Atividade do Varejo (IAV-Stone)
  • Dados mensais de comércio do IBGE
  • Endividamento das famílias pelo Banco Central
  • Taxa de desemprego e renda média

Recomendações Finais

Adaptar-se a um mercado em queda demanda visão estratégica de longo prazo e flexibilidade para ajustes táticos. A combinação de ações operacionais, como otimização de estoques, com estratégias financeiras robustas pode criar uma base sólida para resistir a choques.

Investidores devem diversificar exposições, manter disciplina e aproveitar momentos de alta volatilidade para realocar recursos de forma inteligente.

Cultivar uma cultura organizacional orientada para a adaptação contínua e a digitalização de processos é imperative para enfrentar desafios e capturar as janelas de oportunidade que surgem de forma inesperada.

Acima de tudo, cultivar uma mentalidade de aprendizado contínuo e foco em inovação garantirá que equipes e organizações estejam prontas para a próxima fase de crescimento, emergindo mais fortes e competitivas no futuro.

Lincoln Marques

Sobre o Autor: Lincoln Marques

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